Por meio de redes sociais e imprensa local, em pleno Dia dos Funcionários Públicos o Governo Orlando Morando (PSDB) anunciou que no dia 15 de novembro adiantaria o pagamento “integral” do Décimo Terceiro dos servidores.

A medida foi recebida pela imensa maioria dos servidores como uma chacota de muito mau gosto, pois foi tão somente o adiantamento em um mês das parcelas do Décimo Terceiro que já deveriam ser pagas até o final de dezembro, e sem investir nem um centavo a mais nisso (os 41 milhões de reais de “impactos financeiros” já estavam previstos no orçamento de 2017).

Além disso, diante da propaganda governista, muitas pessoas poderiam acreditar que todos receberiam um salário integral a mais em novembro quando, na verdade, servidores que fruíram férias este ano já receberam metade do Décimo Terceiro.

 

SOBRA PROPAGANDA E FALTA VALORIZAÇÃO

O anúncio do adiantamento do Décimo Terceiro não passou de uma cortina de fumaça para encobrir o fato de Morando ter negado o reajuste salarial e a reposição da inflação aos servidores públicos após uma desastrosa “campanha salarial” conduzida pela diretoria cutista do Sindserv SBC.

Morando diz que falta dinheiro para os reajustes salariais dos servidores e para a melhoria dos serviços públicos, mas aumenta impostos e gasta milhões em publicidade. Só no setor de comunicações, até o final de outubro o governo gastou quase 15 milhões de reais!!!

O governo Morando “economiza” à custa do nosso sangue e do nosso suor, do sacrifício do servidor que além de não ter sequer a reposição da inflação para tentar equilibrar as contas, se vestir e pôr comida na mesa é submetido às condições cada vez mais degradantes de trabalho, com equipamentos e materiais inadequados, de má qualidade e em quantidade insuficiente, ao mesmo tempo em que somos ameaçados em nossos direitos históricos, como a faltas abonadas e o abono de Natal!

 

ESTADO MÍNIMO E AUSTERIADE FISCAL NOS OLHOS DOS OUTROS É REFRESCO?

A tal política de “austeridade fiscal” tão comemorada por Morando tem como consequência a precarização das condições de trabalho e de vida do servidor público e, ainda, a má qualidade e restrição dos serviços oferecidos à população em geral e, particularmente, à população pobre. Essa é a mesma política do governo Temer que congelou por 20 anos os investimentos sociais para garantir o pagamento dos juros aos banqueiros.

Para os servidores públicos, trabalhadores em geral e população pobre, “ESTADO MÍNIMO”, ou seja, aumentos de impostos e das contas, congelamento  de salários, cortes de direitos sociais e trabalhistas, diminuição nos investimentos sociais etc.

Para os políticos corruptos e para os ricos, toda a graça do “ESTADO MÁXIMO”: salários exorbitantes, privilégios e mordomias, transferência de dinheiro público para empresas na forma de “subvenções”, “empréstimos” e “financiamento estatal”, isenções fiscais, perdões de dívidas, pagamento da dívida pública a juros exorbitantes, mudança na legislação trabalhista e previdenciária para beneficiar empresários e até mesmo uma indecente mudança na lei para permitir trabalho escravo no Brasil.

 

SHOW DO HUMILHÃO DE UM LADO, BINGO DE OUTRO. MAS O SALÁRIO, Ó!…

Se de um lado temos um governo que mais parece dirigir um programa de auditório, de outro temos uma diretoria ilegítima no sindicato que em vez de organizar e mobilizar os servidores contra os ataques dos governos e dos patrões, trata o Sindserv como um “clube de vantagem” sem nenhuma vantagem para os servidores públicos e como uma casa de bingos, realizando sorteios de prêmios e prendas na “semana do servidor”.

Reposição da inflação e reajuste salarial que é bom, nada!

Não é possível nem dizer que governo e sindicato fazem a política do pão e circo, porque na jogada casada que ambos praticam contra os servidores públicos falta pão e… Sobra CIRCO!

 

“DE ONDE MENOS SE ESPERA É DAÍ QUE NADA SAI”

Este ditado popular se aplica perfeitamente à diretoria ilegítima do Sindserv, que se empenha tanto em defender seus parceiros de chapa condenados por fraudes nas eleições do sindicato, mas (para a alegria do prefeito) concretamente não construiu a campanha salarial de 2017, não organiza os servidores para as lutas necessárias, não possibilita a participação ampla e democrática dos servidores nas instâncias do sindicato e enquanto faz bravata contra o governo mantém com este uma relação de proximidade estranha aos interesses dos servidores.

Não podemos confiar ou contar com essa diretoria, nem esperar até que a justiça se faça plena em relação às fraudes das eleitorais que tiveram como efeito manter o sindicato sobre controle da CUT. Mas, mesmo não reconhecendo sua legitimidade (e até por não reconhecê-la) devemos fazer exigências à direção do sindicato, ocupar e criar novos espaços de participação e de decisão.

Anúncios