CSP-Conlutas aderiu ao chamado pela Greve Internacional de Mulheres e esteve nas ruas em grandes marchas e nas fábricas paralisadas

Este 8 de março foi um marco na luta das mulheres. Com atos em diversos estados do Brasil e em mais de 55 países, as mulheres saíram às ruas para dizer basta aos ataques dos governos, à austeridade e à violência de gênero.

Já nas primeiras horas do dia, a resistência se mostrou em todo o mundo. No Brasil, em São José dos Campos (SP), houve mobilização na General Motors, Embraer (Eugênio de Melo), Gerdau, Heatcraft, Hitachi, Prolind e Sigma, na Chery, em Jacareí, e na Blue Tech, em Caçapava. Foram atos, assembleias, panfletagens e atrasos nas entradas de turno.

Em outros países latino-americanos, como Paraguai e Uruguai, ocorreram manifestações de rua. Na Argentina, as mulheres decretaram três dias de greve. Nos Estados Unidos, milhares foram às ruas e organizadoras do movimento foram detidas. Em São Paulo e no Mato Grosso do Sul, trabalhadores da educação decidiram em assembleia iniciar greve por tempo indeterminado a partir do dia 15.

Confira como foi o 8M nos estados brasileiros e no mundo:

São Paulo (SP) – Na capital paulistana, a organização do 8M construiu, com outras diversas organizações e movimentos de mulheres, um ato na Avenida Paulista, aproveitando a ocasião em que professores das redes municipal e estadual realizavam assembleia para definir greve por tempo indeterminado a partir do dia 15, contra a reforma da Previdência e outra qualquer emenda e tentativa de ataque do governo Temer.

 CSP Conlutas, juntamente com o MML se somou a essa manifestação que ganhou força a cada quarteirão, chegando a reunir 30 mil pessoas, segundo a organização do ato. No final da avenida Brigadeiro o ato se unificou com a marcha que concentrou na Sé e seguiu até a prefeitura. A unidade das lutas do 8 de março com a categoria da educação paralisada foi uma grande vitória e fortaleceu o caráter classista da manifestação.

“As mulheres são as primeiras a, em um momento de corte na empresa, perderem seus empregos. Nossa luta é contra qualquer tipo de violência, contra Temer e seus aliados, como Alckmin e Dória em São Paulo. Essa forte marcha de hoje é um recado para esses governos. Nós lutaremos contra todos os que atacarem os direitos das mulheres”, exclamou Marcela Azevedo, da Executiva do MML, durante a caminhada.

Graziela Jarandya, membro da organização do 8M São Paulo, complementou ao relembrar que “Dória extinguiu a Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres, e que são as primeiras a sofrerem com os cortes públicos”.

Seguindo o tom classista, a convocação para a greve internacional foi lida durante o trajeto, demonstrando também a importância internacionalista das mobilizações deste dia.

“Precisamos derrotar a reforma da Previdência, seguindo as grandes mobilizações do mundo, vamos construir uma Greve Geral nesse país, essa importante ação de hoje, e a greve da educação a partir do dia 15 por tempo indeterminado, não podem ser traídas em nenhum estado desse país”, falou do carro de som a dirigente da CSP-Conlutas, Joaninha Oliveira.

A batida pelas ruas

A música fluiu durante a marcha de mulheres. O hip-hop militante da dupla Convicção Negra de Pretaline e Maria Psoa agitou o trajeto, com músicas de resistência contra a violência à mulher trabalhadora, pobre, negra e da periferia. A cantora Dandara Nilé também abrilhantou a manifestação com seu samba de resistência. O bloco do Movimento Mulheres em Luta também fez das batidas de suas percussionistas um grito de protesto, destacando o chamado internacionalista que cresceu na Argentina, com o coro de “nenhuma a menos”.

“Estamos no ano em que comemoramos a revolução russa e não é a toa que vejamos que as mulheres estão historicamente na linha de frente. E nós não aceitaremos mais que 13 mulheres sejam mortas por dia, que a cada 11 minutos uma mulher seja estuprada, que filhos, como João Victor, de apenas 13 anos [morto por seguranças de uma filial do Habib’s], sejam assassinados. As mulheres negras não aguentam mais ser a carne mais barata do mercado. Elas são 60% das assassinadas no país”, destacou Marcela.

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